
Por Divya Rajagopal e Marta Nogueira
TORONTO/RIO DE JANEIRO, 19 Fev (Reuters) - A Vale Base Metals (VBM), subsidiária da mineradora Vale VALE3.SA, decidiu vender uma fatia majoritária de ativo no cinturão de níquel Thompson, em Manitoba, para um consórcio de compradores, em uma operação que levará à criação de uma nova empresa de níquel no Canadá.
O consórcio de compradores inclui a empresa de exploração Exiro Minerals, com sede em Toronto, a empresa de private equity Orion Resources Partners e o Canada Growth Fund.
A Vale manterá uma participação de 18,9% na nova empresa, que se chamará Exiro Nickel, e assinou um contrato de "offtake" com ela por cinco anos.
Com a transação, a Vale reduz sua participação no ativo que vinha tendo um desempenho abaixo do esperado, e ainda garante investimentos para recuperar a produção de níquel, importante metal para transição energética.
O novo consórcio investirá US$200 milhões na mina, que a Vale mantém em revisão estratégica desde o ano passado, devido à queda do preço do níquel para o menor nível em cinco anos, causada pelo aumento da oferta e pela baixa demanda.
"Ainda temos 20 anos de níquel lucrativo pela frente", disse Shastri Ramnath, presidente da Exiro Minerals. Ramnath, que foi nomeado também presidente da recém-criada Exiro Nickel, acrescentou que a nova empresa precisa ser capaz de produzir níquel quando os preços estiverem baixos e permanecer competitiva.
A Vale é uma das maiores produtoras mundiais de níquel, que é usado na produção de veículos elétricos e outros bens. A empresa tem como meta uma produção de níquel de 175 mil a 200 mil toneladas em 2026.
"Esses US$200 milhões não estão em nosso bolso; o dinheiro está sendo investido para garantir a competitividade dessa operação no futuro", disse Shaun Usmar, presidente-executivo da Vale Base Metals.
Ele acrescentou que a empresa está apoiando seus novos proprietários para que eles não sejam sobrecarregados com responsabilidades herdadas.
O governo canadense considera oficialmente o níquel um mineral crítico.
Os países do G7, incluindo o Canadá, estão correndo para garantir minerais críticos, como cobre e níquel, em um esforço para quebrar o domínio de países como China e Indonésia na produção desses metais.
DIFICULDADE
Em novembro passado, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse à Reuters que havia dificuldade de enxergar a mina de Thompson caminhando para um nível de custo desejado pela companhia, e que a empresa estava estudando se haveria um "melhor dono" para ela.
Uma fonte a par das negociações afirmou à Reuters que, com o negócio, será "uma operação deficitária a menos" para a companhia.
Em relatório a clientes, analistas do Santander avaliaram o anúncio como positivo, uma vez que está alinhado com a estratégia de otimização de portfólio da Vale e reduz a intensidade de capital e a exposição operacional, ao mesmo tempo em que mantém o fornecimento estratégico por meio do "offtake".
"Ao trazer parceiros e assumir uma posição minoritária, a Vale reduz compromissos de capital futuros e o risco operacional em Thompson, mantendo ainda a diversificação por meio de sua participação de 18,9%", disseram os analistas.
Em 2025, Thompson produziu 12 mil toneladas de níquel (+21,2% em relação ao ano anterior) e 1,5 mil toneladas de cobre (-79,2% em relação ao ano anterior), segundo dados do Santander.
O cinturão de níquel de Thompson é um depósito com operações desde 1956. Os ativos incluem duas minas subterrâneas em operação, uma usina e oportunidades de exploração.
A conclusão da transação é esperada até o final de 2026, sujeita às aprovações regulatórias e governamentais usuais.