
Por Ana Mano
SÃO PAULO, 12 Fev (Reuters) - A atividade de abate de gado no Brasil no quarto trimestre mostra que os frigoríficos aumentaram o processamento em 13,1% em relação ao mesmo período de 2024, de acordo com dados preliminares do IBGE divulgados na quinta-feira.
Se confirmado, o total de abates no Brasil chegaria a 42,3 milhões de cabeças em 2025, um recorde, já que a forte demanda chinesa impulsionou uma aceleração do processamento e colocou o Brasil à frente dos Estados Unidos como o maior produtor mundial de carne bovina.
Dados comerciais do governo brasileiro indicam que a demanda chinesa permaneceu forte em janeiro, com US$650 milhões em embarques de carne bovina para o país asiático no mês passado, quase 45% a mais do que há um ano.
No total, o Brasil vendeu cerca de 232.000 toneladas métricas de carne bovina fresca para vários destinos em janeiro de 2026, gerando quase US$1,3 bilhão em receita. A participação da China no comércio de carne bovina do Brasil foi de aproximadamente metade, em valor e volume.
No futuro, porém, as empresas brasileiras podem não vender tanto para seu principal parceiro comercial, já que Pequim introduziu cotas máximas anuais de importação para fornecedores ao longo de três anos. Qualquer coisa que exceda um determinado limite será tributada com uma tarifa de 55%.
As "medidas de salvaguarda" da China assustaram os processadores locais. Mas como Pequim está irredutível, o governo brasileiro está agora discutindo com o setor um plano para atribuir cotas específicas às empresas, na mesma proporção de suas exportações para a China no ano passado, a fim de regular os suprimentos.
Os defensores da medida argumentam que ela poderia evitar uma pressão ascendente sobre os preços do gado ou uma queda nos preços de exportação da carne bovina, já que as empresas locais correm para exportar para a China a fim de preencher sua cota mais rapidamente do que as outras. Os detratores dizem que isso pode permitir uma interferência sem precedentes nas exportações de alimentos.
Pequim isentará 1,106 milhão de toneladas métricas de carne bovina brasileira de tarifas adicionais este ano. Em média, os exportadores locais venderiam cerca de 92.000 toneladas mensais para a China abaixo do limite, em comparação com quase 140.000 toneladas mensais em 2025.
(Reportagem de Ana Mano)
((Tradução Redação São Paulo 55 11 56447751)) REUTERS RS