
Por Marianna Parraga
9 Fev (Reuters) - A estatal petrolífera venezuelana PDVSA reverteu a maior parte dos cortes de produção em seus próprios campos de petróleo e em joint ventures na Faixa do Orinoco, a principal região produtora de petróleo bruto do país, elevando a produção total para perto de 1 milhão de barris por dia (bpd), disseram fontes próximas às operações.
A Venezuela, membro da OPEP, teve que reduzir a produção de petróleo bruto após o bloqueio imposto por Washington em dezembro para pressionar Nicolás Maduro, cuja derrubada no início de janeiro levou à formação do governo da presidente interina Delcy Rodríguez, supervisionado pelos EUA. (link).
O rigoroso bloqueio dos EUA deixou milhões de barris de petróleo bruto exportável retidos em tanques e navios na Venezuela, forçando cortes na produção que a PDVSA começou a reverter recentemente, à medida que as exportações se recuperam, aproximando-se dos níveis normais. (link)
A região do Orinoco está agora produzindo um pouco mais de 500.000 barris por dia, após aumentos ocorridos no fim de semana em diversos projetos, disseram as fontes, mais de 100.000 barris por dia acima da produção do início de janeiro.
"Começamos a aumentar a produção na Petromonagas entre sábado e domingo, com o volume adicional previsto para atingir 85.000 barris por dia hoje", disse um funcionário de uma das cinco joint ventures controladas pela PDVSA na vasta Faixa do Orinoco.
A produção total de petróleo da Venezuela caiu para um mínimo de 880.000 barris por dia no início de janeiro, com a Faixa do Orinoco contribuindo com apenas 410.000 barris por dia, ante 1,16 milhão de barris por dia no final de novembro, segundo dados de analistas independentes.
As empresas de comercialização Trafigura e Vitol receberam, no mês passado, as licenças iniciais dos EUA para exportar e comercializar milhões de barris de petróleo venezuelano, como parte de um acordo de fornecimento de US$ 2 bilhões (link) entre Caracas e Washington.
As exportações de petróleo são a principal fonte de receita do país. Desde o acordo, a receita das vendas está sendo destinada a um fundo controlado pelos EUA no Catar, segundo autoridades americanas e venezuelanas.
O Departamento do Tesouro dos EUA também emitiu licenças gerais nas últimas semanas, permitindo amplamente que empresas americanas exportem petróleo da Venezuela e forneçam combustível ao país. Espera-se que estas sejam seguidas por outras autorizações (link) para a exploração e produção de petróleo no país, segundo fontes independentes.
As licenças americanas ajudaram a destravar as exportações, liberando petróleo bruto e combustível que estavam estocados, fornecendo diluentes muito necessários para o petróleo extrapesado da Venezuela e permitindo que a PDVSA aumentasse a produção, principalmente na Faixa do Orinoco, disseram as fontes.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, planeja visitar (link) Caracas esta semana, onde terá reuniões com autoridades venezuelanas sobre o plano de reconstrução de US$ 100 bilhões de Washington para o país após a derrubada de Maduro, disseram fontes.