
3 Fev (Reuters) - A Archer-Daniels-Midland ADM.N previu na terça-feira um lucro ajustado para o ano atual abaixo das expectativas dos analistas, uma vez que a incerteza sobre as políticas de biocombustíveis dos EUA e a turbulência comercial global que afetaram os lucros no ano passado continuam a ser um desafio para a comercializadora de grãos.
Suas ações caíram 4,25% nas negociações pré-mercado.
A ADM, com sede em Chicago, reportou o lucro ajustado mais fraco do quarto trimestre desde 2019, uma vez que a queda nas margens de processamento de soja na América do Norte e do Sul e as fracas exportações de soja dos EUA prejudicaram os lucros de seu negócio de Serviços Agrícolas e Oleaginosas, seu maior segmento.
O excesso global de grãos, que derrubou os preços de safras como milho e soja para níveis próximos aos mínimos de vários anos, corroeu os lucros da ADM e de outras empresas do agronegócio, como Bunge e Cargill. Os atrasos na política de biocombustíveis dos EUA e a turbulência comercial decorrente das guerras tarifárias do presidente Donald Trump criaram mais pressão sobre as comercializadoras globais de grãos.
A perspectiva pessimista surge no momento em que a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) e o Departamento de Justiça concluíram as investigações sobre se a ADM havia inflado o desempenho de um segmento de negócios chave. A ADM concordou em pagar uma multa civil de US$40 milhões para resolver as acusações da SEC, enquanto o Departamento de Justiça encerrou sua investigação criminal, pondo fim a um escândalo de anos que forçou a empresa a revisar duas vezes seus relatórios financeiros.
A ADM reportou lucros ajustados de US$0,87 por ação para o trimestre que terminou a 31 de dezembro, abaixo dos US$1,14 por ação do ano anterior, mas acima da estimativa consensual dos analistas de US$ 0,80, de acordo com dados compilados pela LSEG.
O presidente-executivo Juan Luciano disse que o lucro operacional para 2025 foi afetado por um cenário comercial global turbulento e pela incerteza contínua em torno da política de biocombustíveis dos EUA. As resoluções "devem apoiar um ambiente operacional mais construtivo para nós em 2026", acrescentou.
O governo dos EUA tem demorado para finalizar algumas políticas de biocombustíveis, um atraso que retardou o uso de matérias-primas como o óleo de soja produzido nas fábricas de processamento da ADM.
A ADM reportou lucros ajustados para 2025 de US$3,43 por ação. Sua perspectiva de lucros ajustados para 2026, de US$ 3,60 a US$ 4,25 por ação, depende dessas políticas de biocombustíveis e da melhoria das margens de processamento de soja, que estão em queda. O ponto médio é inferior à estimativa média dos analistas de US$ 4,24 por ação, de acordo com dados compilados pela LSEG.
No mês passado, a Reuters informou que o governo Trump planeja finalizar as cotas de mistura de biocombustíveis para 2026, há muito adiadas, até o início de março, mantendo-as próximas à sua proposta inicial, mas abandonando o plano de penalizar as importações de combustíveis renováveis e matérias-primas.
Os atrasos levaram os fabricantes de biocombustíveis e os fornecedores de matérias-primas, como a ADM, a adiar negócios e decisões de gastos que moldam a produção e as margens.
(Por Karl Plume em Chicago e Pooja Menon em Bengaluru)
((Tradução Redação São Paulo 55 11 56447751)) REUTERS RS