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EXCLUSIVO-Citgo compra primeiro petróleo venezuelano da Trafigura desde 2019, dizem fontes

Reuters29 de jan de 2026 às 05:46
  • Refinarias da Citgo nos EUA são uma boa correspondência para o petróleo bruto venezuelano.
  • Washington tem negado o fornecimento de petróleo bruto venezuelano à Citgo desde 2019.
  • Citgo comprou um carregamento de 500 mil barris de petróleo bruto venezuelano, dizem fontes.

Por Marianna Parraga e Shariq Khan

- A refinaria norte-americana Citgo Petroleum comprou petróleo bruto venezuelano pela primeira vez desde 2019, quando rompeu relações com sua controladora, a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), disseram à Reuters nesta quarta-feira duas fontes familiarizadas com o assunto.

A refinaria com capacidade para processar 830 mil barris por dia, que deverá ser assumida por uma afiliada do fundo de hedge Elliott Investment Management para pagar credores ligados à Venezuela após um leilão ordenado pela justiça, possui a rede nos EUA mais adequada para processar o petróleo pesado e ácido da Venezuela.

A Citgo tem sido impedida de ter acesso ao petróleo venezuelano desde 2019. A refinaria rompeu relações com a PDVSA, sediada em Caracas, meses após a reeleição do presidente Nicolás Maduro, que não foi reconhecida pelos Estados Unidos.

Este mês, Maduro foi capturado pelas forças americanas, e um acordo emblemático de US$ 2 bilhões para o fornecimento de petróleo venezuelano aos Estados Unidos e outros mercados foi firmado logo em seguida por Washington e Caracas, que agora é governada pela presidente interina Delcy Rodríguez. Desde então, empresas comerciais têm comercializado e exportado milhões de barris de petróleo venezuelano.

Segundo fontes, que pediram anonimato para discutir detalhes confidenciais, a Citgo comprou um carregamento de cerca de 500 mil barris de petróleo bruto pesado venezuelano da Trafigura, com entrega prevista para fevereiro.

A Trafigura recusou-se a comentar. A Citgo não respondeu aos pedidos de comentários.

O acordo representa um marco importante nos esforços dos EUA para normalizar e potencialmente impulsionar as vendas e receitas de petróleo da Venezuela, país que Washington assumiu o controle logo após a captura de Maduro. É também fundamental para a Citgo, que nos últimos anos tem recorrido a outros tipos de petróleo pesado da América Latina e ao petróleo bruto produzido nos EUA para suprir a lacuna deixada pela Venezuela.

A Citgo, que opera a sétima maior rede de refinarias dos EUA, foi adquirida pela PDVSA na década de 1980 para garantir uma saída para o petróleo venezuelano na América do Norte. A empresa esteve entre as maiores compradoras do petróleo bruto do país sul-americano até 2019, quando todo o setor energético da Venezuela foi atingido por sanções dos EUA para pressionar Maduro.

A Citgo, a joia da coroa dos ativos venezuelanos no exterior, também era um fornecedor fundamental de produtos refinados para a Venezuela.

A Citgo não teve acesso ao petróleo venezuelano mesmo quando as sanções foram parcialmente suspensas nos últimos anos, permitindo que outras refinarias americanas importassem cargas através da gigante norte-americana Chevron CVX.N.

Autoridades do governo dos EUA afirmaram que aceleraram os acordos de fornecimento com as empresas de comercialização Vitol e Trafigura, os primeiros firmados após a prisão de Maduro, para ajudar a reduzir o enorme acúmulo de estoques de petróleo causado pelo bloqueio naval dos EUA ao país, que forçou cortes na produção de petróleo bruto.

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