
Por Juveria Tabassum
28 Jan (Reuters) - A Starbucks SBUX.O registrou seu primeiro crescimento de vendas nos EUA em dois anos, graças aos esforços do presidente-executivo Brian Niccol para resgatar as raízes da empresa como cafeteria, embora os investidores ainda estivessem preocupados com a queda nas margens de lucro.
A empresa contratou Niccol do Chipotle Mexican Grill CMG.N, onde ele revitalizou a rede de burritos após um susto com salmonela e lançou a popular opção de drive-thru 'Chipotlanes'.
Todas as atenções estão voltadas para o primeiro dia do investidor da Starbucks sob a gestão de Niccol, na quinta-feira, com a expectativa de que o presidente-executivo possa revelar uma atualização estratégica muito aguardada e metas de longo prazo.
"Tem sido frustrante em termos da duração dessa reviravolta... existe uma sensação geral (entre investidores) agora de que amanhã será um grande dia", disse Nick Setyan, analista da Mizuho Securities.
Desde que assumiu o cargo máximo em setembro de 2024, Niccol tem defendido um cardápio simplificado, alimentos frescos assados na hora e copos com mensagens escritas à mão como parte de sua iniciativa "De Volta ao Starbucks" (link).
Um dos objetivos do plano é reduzir o tempo de atendimento e melhorar a eficiência nas lojas (link) por meio de seu programa "Avental Verde", que exige grandes investimentos, mas lá, Niccol enfrenta (link) tecnologia obsoleta e uma rede de fornecedores fragmentada, informou a Reuters.
A Starbucks ainda não estava, por vezes, cumprindo sua meta de manter o tempo de atendimento abaixo de 4 minutos, disse o presidente-executivo em uma teleconferência após a divulgação dos resultados na quarta-feira.
"Os investimentos estratégicos que estamos fazendo para fortalecer nossas bases operacionais levarão tempo para se refletirem em um crescimento sustentável dos lucros", acrescentou Niccol.
As ações, que subiram cerca de 7% desde que ele assumiu o cargo, registraram alta de aproximadamente 2% na quarta-feira, reduzindo a maior parte dos ganhos iniciais. Elas acumulam alta de cerca de 14% neste ano até o fechamento de terça-feira.
As vendas comparáveis aumentaram 4% na América do Norte no primeiro trimestre.
O valor gasto por pedido cresceu 1% nos EUA, impulsionado por bebidas à base de café expresso e chá, e pela crescente popularidade das opções com espuma fria, afirmou a diretora financeira Cathy Smith.
Bebidas com infusão de proteína, lançadas no final do ano passado, também estavam atraindo clientes, disseram os executivos.
É NECESSÁRIO REVERTER AS MARGENS
As margens de lucro não aumentaram por dois anos consecutivos, prejudicadas pelos investimentos da empresa em operações de lojas e pelas tarifas de importação impostas no último ano a importantes exportadores de café, como o Brasil.
Embora os EUA tenham reduzido as tarifas sobre o café, o custo do grão em bruto já está elevado devido aos impostos pagos durante o último verão. As margens diminuíram 290 pontos base no trimestre em análise.
"A aceleração nas vendas comparáveis é suficiente no curto prazo. Ao longo do próximo ano, digamos, as margens operacionais também precisam começar a melhorar", disse Setyan, da Mizuho.
FORTE PREVISÃO DE VENDAS PARA 2026
A empresa projetou um lucro ajustado para o ano fiscal de 2026 entre US$ 2,15 e US$ 2,40 por ação, sendo o ponto médio dessa projeção inferior à estimativa de US$ 2,35. A expectativa é de que a pressão tarifária comece a diminuir no segundo semestre do ano.
A Starbucks estimou que as vendas globais em lojas comparáveis no ano fiscal de 2026 crescerão 3% ou mais, em comparação com as estimativas de um aumento de 2,94%.
Em novembro, a Starbucks vendeu o controle (link) de suas operações na China para a Boyu Capital após anos de dificuldades com as fracas vendas na região.
As vendas na região aumentaram 7% no trimestre, em comparação com um aumento de 2% no trimestre anterior.