
HAMBURGO, 26 Jan (Reuters) - Reino Unido, Alemanha, Dinamarca e outros países europeus assinaram nesta segunda-feira um pacto de energia limpa em Hamburgo, comprometendo-se a fornecer 100 gigawatts (GW) de capacidade de energia eólica offshore por meio de projetos conjuntos de grande escala.
O acordo, que contrasta fortemente com a oposição do presidente dos EUA, Donald Trump, à energia verde, sinaliza que os governos da Europa Ocidental e do Norte continuam comprometidos com a energia eólica como forma de impulsionar a segurança energética da região.
Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na semana passada, Trump intensificou suas críticas à transição dos países europeus para energias de baixo carbono, afirmando que quem depende de turbinas eólicas perde dinheiro.
"Estamos defendendo nossos interesses nacionais ao priorizar a energia limpa, que pode tirar o Reino Unido da dependência dos combustíveis fósseis e nos dar soberania e abundância energética", disse o ministro da Energia britânico, Ed Miliband, em um comunicado.
Acabar com a dependência da energia russa, em particular, tem sido um dos principais objetivos da Europa.
Os Estados-membros da União Europeia aprovaram nesta segunda-feira a proibição às importações de gás russo até o final de 2027, tornando juridicamente vinculativa a ruptura com seu antigo principal fornecedor, quase quatro anos após a invasão em grande escala da Ucrânia por Moscou.
Um novo desequilíbrio, no entanto, está obscurecendo a busca pela soberania energética. A UE obteve 27% do total de suas importações de gás e GNL dos Estados Unidos em 2025. Novos contratos de GNL significam que esse número pode subir para 40% até 2030, de acordo com o Instituto de Economia Energética e Análise Financeira.
O compromisso de impulsionar a colaboração transfronteiriça faz parte de uma meta acordada pelos países do Mar do Norte em 2023, de alcançar 300 GW de capacidade eólica offshore até 2050.
MENOS CUSTOS, MAIS EMPREGOS
A associação industrial WindEurope afirmou que, segundo o acordo, as empresas associadas se comprometeram a reduzir custos, criar 91 mil empregos e gerar "1 trilhão de euros em atividade econômica".
A adição de 100 GW no mar transformaria o mercado de energia da Europa, pois a região possui atualmente 258 GW de capacidade eólica instalada, tanto em terra quanto no mar, de acordo com dados da WindEurope.
O acordo desta segunda-feira, cujo rascunho foi divulgado pela Reuters na semana passada, foi assinado na Cúpula do Mar do Norte por Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Holanda e Noruega.
"Ao planejar a expansão, as redes elétricas e a indústria em conjunto e implementá-las além fronteiras, estamos criando energia limpa e acessível, fortalecendo nossa base industrial e aumentando a soberania estratégica da Europa", afirmou a ministra da Economia alemã, Katherina Reiche.
Em outra frente, Reiche revelou nesta segunda-feira planos para revitalizar os leilões de energia eólica offshore da Alemanha, que estavam estagnados, com um pacote de medidas que inclui a concessão de receitas de energia mais confiáveis aos investidores.
Ao introduzir os "contratos por diferença", os investidores podem receber uma compensação quando os preços de mercado da eletricidade caírem abaixo de um valor de referência acordado, ou devolverão parte das suas receitas quando os preços ultrapassarem este valor de referência.
A Alemanha precisa intensificar seus esforços depois que duas licitações recentes para o desenvolvimento de projetos eólicos em sua costa não atraíram nenhuma proposta, enquanto Reino Unido e Irlanda executaram projetos bem-sucedidos, disse Reiche.
O Reino Unido afirmou que também assinaria outros acordos com grupos menores de nações para promover o desenvolvimento mais eficiente de projetos transfronteiriços e de infraestrutura para a criação de parques eólicos no mar, que estejam diretamente conectados a mais de um país.
No início de janeiro, o Reino Unido garantiu uma quantidade recorde de capacidade eólica offshore em seu mais recente leilão de energia, quando projetos com capacidade total de 8,4 GW foram contemplados com contratos.
(Reportagem de Andreas Rinke em Hamburgo, Holger Hansen em Berlim e William James em Londres; texto de Ludwig Burger)
((Tradução Redação São Paulo))
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