
Por Phil Stewart e Lewis Krauskopf
WASHINGTON, 25 Jan (Reuters) - Mais de 850.000 pessoas nos Estados Unidos ficaram sem eletricidade e mais de 10.000 voos foram cancelados neste domingo durante uma tempestade de inverno monstruosa que paralisou os Estados do leste e do sul com neve pesada e gelo.
À medida que a neve, a chuva congelante e as temperaturas perigosamente baixas se alastravam pelos dois terços do leste do país neste domingo, o número de quedas de energia continuava a aumentar. Até o final da manhã deste domingo, mais de 850.000 clientes dos EUA estavam sem eletricidade, de acordo com o site PowerOutage.us, com pelo menos 290.000 no Tennessee e mais de 100.000 em cada um dos Estados de Mississippi, Texas e Louisiana. Outros Estados afetados foram Kentucky, Geórgia, Virgínia e Alabama.
Mais de 10.200 voos dos EUA programados para este domingo foram cancelados, de acordo com o site de rastreamento de voos FlightAware. Mais de 4.000 voos foram cancelados no sábado.
O Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, D.C., informou que as companhias aéreas haviam cancelado todos os voos no aeroporto neste domingo.
A Delta Air Lines DAL.N disse neste domingo que pretende operar em um horário reduzido "sujeito à precipitação congelada em tempo real e às condições de tempestade da tarde".
A companhia aérea havia ajustado sua programação no sábado, com cancelamentos adicionais pela manhã para Atlanta e ao longo da Costa Leste, incluindo Boston e Nova York, e disse que deslocaria especialistas de centros de clima frio para apoiar as equipes de degelo e bagagem em vários aeroportos do sul.
A última previsão do Serviço Nacional de Meteorologia para o período de domingo a segunda-feira de manhã prevê neve pesada do Vale de Ohio ao Nordeste, incluindo até aproximadamente 45 centímetros na Nova Inglaterra. Grande parte do sudeste e partes do Meio-Atlântico devem receber chuva e chuva congelada.
Os meteorologistas previram "temperaturas extremamente baixas e ventos perigosamente frios" desde as planícies do sul até o nordeste na esteira da tempestade, trazendo "impactos perigosos e prolongados nas viagens e na infraestrutura".
GOVERNOS FEDERAL E ESTADUAL DECLARAM EMERGÊNCIAS
Chamando as tempestades de "históricas", o presidente dos EUA, Donald Trump, aprovou no sábado declarações federais de desastre de emergência na Carolina do Sul, Virgínia, Tennessee, Geórgia, Carolina do Norte, Maryland, Arkansas, Kentucky, Louisiana, Mississippi, Indiana e Virgínia Ocidental.
"Continuaremos a monitorar e a manter contato com todos os Estados no caminho dessa tempestade. Fiquem seguros e aquecidos", escreveu Trump em uma postagem no Truth Social.
Dezessete Estados e o Distrito de Columbia declararam emergências climáticas, informou o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês).
A secretária do DHS, Kristi Noem, em uma coletiva de imprensa no sábado, alertou os norte-americanos a tomarem precauções.
"Vai fazer muito, muito frio", disse Noem. "Portanto, incentivamos todos a estocar combustível, estocar alimentos, e vamos superar isso juntos."
O Departamento de Energia (DOE, na sigla em inglês) emitiu no sábado uma ordem de emergência autorizando o Conselho de Confiabilidade Elétrica do Texas a implantar recursos de geração de backup em data centers e outras instalações importantes, com o objetivo de limitar os apagões no Estado.
No domingo, o DOE emitiu uma ordem de emergência para autorizar a operadora de rede PJM Interconnection a operar "recursos especificados" na região do Meio-Atlântico, independentemente dos limites impostos por leis estaduais ou licenças ambientais.
No sábado, as operadoras da rede elétrica dos EUA intensificaram as precauções para evitar apagões rotativos.
A Dominion Energy D.N, cujas operações na Virgínia incluem o maior conjunto de datacenters do mundo, disse que, se sua previsão de gelo se mantiver, o evento de inverno poderá ser um dos maiores a afetar a empresa.
(Reportagem de Phil Stewart, Lewis Krauskopf e Blake Brittain, em Washington, DC; Reportagem adicional de Chandni Shah, Devika Nair, e Preetika Parashuraman, em Bengaluru)
((Tradução Redação São Paulo))
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