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EUA ameaça Iraque com sanções devido à influência iraniana

Reuters23 de jan de 2026 às 15:26

Por Maha El Dahan e Timour Azhari e Humeyra Pamuk

- Washington ameaçou políticos de alto escalão do Iraque com sanções direcionadas ao Estado iraquiano, caso grupos armados apoiados pelo Irã sejam incluídos no próximo governo, informaram quatro fontes à Reuters.

As sanções podem incluir, potencialmente, sua fonte crítica de receita petrolífera canalizada através do Federal Reserve de Nova York.

A ação dos EUA é o exemplo mais contundente até agora da campanha do presidente norte-americano, Donald Trump, para conter a influência de grupos ligados ao Irã no Iraque, país que há muito tempo caminha na corda bamba entre seus dois aliados mais próximos, Washington e Teerã.

O alerta dos EUA foi transmitido repetidamente nos últimos dois meses pelo encarregado de negócios dos EUA em Bagdá, Joshua Harris, em conversas com autoridades iraquianas e líderes xiitas influentes, incluindo alguns chefes de grupos ligados ao Irã, por meio de intermediários, de acordo com três autoridades iraquianas e uma fonte familiarizada com o assunto.

Harris e a embaixada não responderam aos pedidos de comentários. As fontes solicitaram anonimato para discutir conversas privadas.

Desde que assumiu o cargo há um ano, Trump tem agido para enfraquecer o governo iraniano, inclusive por meio de seu vizinho, o Iraque.

O Irã considera o Iraque vital para manter sua economia funcionando em meio às sanções e há muito tempo utiliza o sistema bancário de Bagdá para contornar as restrições, afirmaram autoridades norte-americanas e iraquianas.

Sucessivas administrações norte-americanas têm buscado interromper esse fluxo de dólares, impondo sanções a mais de uma dezena de bancos iraquianos nos últimos anos. Mas os EUA jamais restringiram o fluxo de dólares do Fed de Nova York para o Banco Central do Iraque.

"Os Estados Unidos apoiam a soberania iraquiana e a soberania de todos os países da região. Isso não deixa absolutamente nenhum espaço para milícias apoiadas pelo Irã que perseguem interesses malignos, causam divisões sectárias e espalham o terrorismo pela região", disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA à Reuters, em resposta a um pedido de comentário.

O porta-voz não respondeu às perguntas da Reuters sobre as ameaças de sanções.

Trump, que bombardeou o programa nuclear do Irã em junho, ameaçou intervir militarmente no país novamente durante os protestos da semana passada.

O gabinete do primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani, o Banco Central do Iraque e a missão do Irã nas Nações Unidas não responderam aos pedidos de comentários.

(Reportagem de Maha El Dahan, Timour Azhari e Humeyra Pamuk; Reportagem adicional de Ahmed Rasheed)

((Tradução Redação São Paulo))

REUTERS FDC

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