
Por Dave Graham
DAVOS, SUÍÇA, 22 Jan (Reuters) - O uso de tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como ferramenta de política externa deu nesta semana em Davos novo impulso aos esforços para reforçar o comércio global além dos EUA, com frustração palpável entre muitos dos principais parceiros comerciais de Washington.
As tarifas voltaram ao foco quando Trump ameaçou no último fim de semana novas tarifas sobre os aliados europeus que se opunham aos seus projetos sobre a Groenlândia, antes de recuar delas na quarta-feira, após anunciar um arcabouço de acordo com a Otan sobre a ilha do Ártico.
"É a velocidade, a escala e o escopo da mudança que realmente está abalando o mundo", disse o ministro das Finanças canadense, François-Philippe Champagne, durante um painel de discussão sobre tarifas na reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça.
O Fórum está se reunindo em Davos pela primeira vez desde que Trump elevou no ano passado as tarifas dos EUA ao seu nível mais alto em quase um século, fazendo com que os países se esforçassem para compensar isso por meio de mais comércio entre si.
Trump, que afirma que suas políticas estão trazendo de volta os empregos para os Estados Unidos, estimulando trilhões de dólares em investimentos e impulsionando o crescimento, está sempre presente nos debates do Fórum sobre como moderar a exposição aos EUA, que, segundo estudos, desempenhará um papel menor no comércio global do que no passado.
Champagne disse que os países estão diversificando suas relações comerciais e fazendo mais em nível regional para tornar suas economias mais resistentes aos choques da política comercial.
"Quando você conversa com os presidente-executivos hoje, o que eles querem? Estabilidade, previsibilidade e o estado de direito. Eu diria que isso está em falta", disse ele, dias depois que o Canadá e a China fecharam um acordo para reduzir as tarifas sobre veículos elétricos e canola.
Logo em seguida, veio a assinatura de um acordo de livre comércio este mês entre a União Europeia e o Mercosul - o maior pacto comercial da UE se superar os obstáculos legais remanescentes.
A diversificação das cadeias de oferta e a redução da dependência excessiva são defendidas pela Organização Mundial do Comércio, com a diretora-geral, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmando que essas medidas ajudam a espalhar a criação de empregos e o crescimento para outros países.
"Isso ajuda a construir a resiliência global e nós o apoiamos muito", disse ela à Reuters em Davos.
O Boston Consulting Group prevê que a participação dos EUA no comércio global de bens poderá cair de 12% para 9% na década até 2034, dando lugar a uma maior atividade econômica interna dos EUA.
"Trump está serrando o galho em que está sentado", disse Dirk Jandura, chefe da associação de exportadores BGA da Alemanha esta semana, depois que dados mostraram que as exportações alemãs para os EUA caíram 9% nos primeiros 11 meses de 2025.
Volker Treier, chefe de comércio exterior das Câmaras Alemãs de Indústria e Comércio, disse que pesquisas mostraram que as tarifas sobre matérias-primas como aço e alumínio estão tornando mais caro para as empresas desenvolverem a capacidade industrial dos EUA.
A atividade manufatureira dos EUA contraiu pelo 10º mês consecutivo em dezembro, de acordo com uma pesquisa.
"O mundo se tornou mais caro e, estruturalmente, ficará ainda mais caro", disse Treier.
(Reportagem de Dave Graham e Mark John)
((Tradução Redação São Paulo))
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