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Canadá e China reduzem tarifas de veículos elétricos e canola em retomada dos laços

Reuters16 de jan de 2026 às 21:15

Por Maria Cheng

- O Canadá e a China fecharam um acordo comercial inicial nesta sexta-feira que reduzirá as tarifas sobre veículos elétricos e canola, conforme ambas as nações prometeram derrubar as barreiras comerciais e estabelecer novos laços estratégicos durante a visita do primeiro-ministro Mark Carney.

Primeiro premiê canadense a visitar a China desde 2017, Carney está tentando reconstruir os laços com o segundo maior parceiro comercial de seu país, depois dos Estados Unidos, após meses de esforços diplomáticos.

Inicialmente, o Canadá permitirá a entrada de até 49.000 veículos elétricos chineses com uma tarifa de 6,1% nos termos de nação-mais-favorecida, disse Carney após conversas com líderes chineses, incluindo o presidente Xi Jinping.

Isso se compara à tarifa de 100% sobre os veículos elétricos chineses imposta pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau em 2024, após penalidades semelhantes dos EUA. Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá.

"Esse é um retorno aos níveis anteriores aos recentes atritos comerciais, mas sob um acordo que promete muito mais para os canadenses", disse Carney aos repórteres. Mais tarde, ele disse que a cota aumentaria gradualmente, chegando a cerca de 70.000 veículos em cinco anos.

"Para que o Canadá construa seu próprio setor competitivo de veículos elétricos, precisaremos aprender com parceiros inovadores, acessar suas cadeias de suprimentos e aumentar a demanda local", disse Carney, afastando-se da justificativa de Trudeau de que as tarifas eram necessárias para proteger os produtores nacionais contra os fabricantes chineses subsidiados.

O relaxamento das tarifas de carros elétricos divergiu da política dos EUA, e alguns membros do gabinete do presidente dos EUA, Donald Trump, criticaram a decisão antes de uma esperada revisão do acordo comercial entre os EUA, Canadá e México.

Mas o próprio Trump expressou seu apoio a Carney. "É isso que ele deveria estar fazendo. É bom que ele assine um acordo comercial. Se você conseguir um acordo com a China, deve fazer isso", disse Trump aos repórteres na Casa Branca.

PARCERIA AGROALIMENTAR

O primeiro-ministro Doug Ford, de Ontário, a principal província produtora de automóveis do Canadá, denunciou o acordo.

"O governo federal está convidando uma enxurrada de veículos elétricos baratos fabricados na China sem nenhuma garantia real de investimentos iguais ou imediatos na economia, no setor automotivo ou na cadeia de suprimentos do Canadá", disse ele em um post no X.

Em retaliação às tarifas de Trudeau, em março, a China impôs tarifas sobre mais de US$2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios canadenses, como óleo e farinha de canola, seguidas de tarifas sobre sementes de canola em agosto.

Isso levou a uma queda de 10,4% nas importações de produtos canadenses pela China em 2025.

De acordo com o novo acordo, disse Carney, o Canadá espera que a China reduza as tarifas sobre suas sementes de canola até 1º de março, para uma taxa combinada de cerca de 15% dos atuais 84%.

O Canadá também espera que suas farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas tenham as tarifas antidiscriminatórias removidas a partir de 1º de março até pelo menos o final do ano, acrescentou.

Os acordos destravarão cerca de US$3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores canadenses, disse Carney.

O Ministério do Comércio da China disse em um comunicado que a China estava ajustando as medidas antidumping sobre a canola, bem como as medidas antidiscriminatórias sobre alguns produtos agrícolas e aquáticos canadenses, em resposta à redução das tarifas do Canadá para veículos elétricos.

(Reportagem de Maria Cheng; reportagens adicionais de Joe Cash, Ethan Wang, Ella Cao, Xiuhao Chen, Shi Bu, Yukun Zhang e Liz Lee em Pequim e David Ljunggren em Ottawa)

((Tradução Redação São Paulo))

REUTERS AC

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