
Por Marianna Parraga e Jarrett Renshaw
HOUSTON/WASHINGTON, 14 Jan (Reuters) - A Chevron CVX.N deverá receber esta semana uma licença ampliada do governo dos EUA para operar na Venezuela, o que poderá permitir o aumento da produção e das exportações do país sul-americano, disseram três fontes da indústria petrolífera à Reuters nesta quarta-feira.
A produtora de petróleo norte-americana deverá ser uma das várias empresas a receber aprovações da administração do presidente Donald Trump (link) para fazer negócios na Venezuela, já que empresas petrolíferas, comerciantes e refinarias buscam acesso ao petróleo bruto pesado do país após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA, disseram fontes.
A Marathon Petroleum MPC.N, com sede nos EUA, por exemplo, está em negociações com o governo para receber petróleo bruto venezuelano para suas refinarias, de acordo com uma fonte separada familiarizada com as discussões.
A Valero Energy VLO.N, com sede nos EUA, e as empresas globais de comércio de energia Mercuria e Glencore GLEN.L também estão em negociações para obter licenças de Washington para fazer negócios com a Venezuela, disseram fontes do setor.
Um porta-voz da Chevron afirmou em comunicado que a empresa opera em conformidade com todas as leis, regulamentos e estruturas de sanções. Marathon, Valero, Mercuria e Glencore não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Geralmente, não comenta sobre licenças específicas ou pedidos de licenciamento.
A Reuters noticiou na semana passada que a Chevron estava em negociações com os EUA para expandir sua licença (link) para operar na Venezuela, a fim de aumentar as exportações de petróleo bruto para suas próprias refinarias e vender para outros compradores. A empresa poderia até mesmo comercializar uma parte da produção de petróleo bruto da estatal PDVSA, caso fosse autorizada, disseram fontes.
A Chevron é a única grande petrolífera norte-americana que atualmente produz petróleo bruto na Venezuela, com cerca de 240.000 barris por dia (bpd) em joint ventures com a PDVSA. Desde julho, opera no país e exporta petróleo para os EUA sob uma autorização restrita que a isenta das sanções impostas ao país.
Entre o final de 2022 e o início de 2025, a licença da Chevron na Venezuela era mais permissiva, o que levou à expansão da capacidade de produção, reparos nas instalações e aumento das exportações. Mas, como parte da estratégia de Washington para depor Maduro, a licença foi restringida no ano passado, o que reduziu as exportações pela metade em comparação com os níveis do início de 2025.
As ações da Chevron subiram quase 9% desde que as forças americanas depuseram Maduro do poder no início deste mês e a presidente interina Delcy Rodríguez assumiu o cargo.
PRIMEIRAS VENDAS DE PETRÓLEO CONCLUÍDAS
Os EUA concluíram as primeiras vendas (link) de petróleo venezuelano que fazem parte de um acordo de US$ 2 bilhões entre Caracas e Washington, informou à Reuters uma fonte oficial norte-americana na quarta-feira, acrescentando que vendas adicionais são esperadas nos próximos dias e semanas.
A Chevron e as empresas comerciais globais Vitol e Trafigura têm competido por contratos com o governo dos EUA para exportar (link) o petróleo bruto venezuelano, conforme relatado anteriormente pela Reuters.
A disputa por acordos ocorre depois que os EUA declararam sua intenção de controlar indefinidamente as vendas de petróleo da Venezuela. Na sexta-feira, um grupo de altos executivos do setor petrolífero, incluindo produtores e empresas de serviços, se reuniu na Casa Branca para um encontro no qual Trump os incentivou a investir até US$ 100 bilhões para reativar a indústria petrolífera do país membro da OPEP e impulsionar a produção.