
Por Luciana Magalhaes
SÃO PAULO, 14 Jan (Reuters) - O bilionário brasileiro Joesley Batista se reuniu com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na sexta-feira, antes e depois de um encontro em Washington com autoridades dos EUA. Ele as tranquilizou de que ela parece disposta a abrir o setor de petróleo e gás de sua nação para investimentos, disse à Reuters uma pessoa familiarizada com o assunto.
A empresa de energia da família Batista, Fluxus, que consolidou ativos na Bolívia e na Argentina desde que a adquiriu em 2023, está avaliando oportunidades de negócios na Venezuela, disse a fonte, falando sob condição de anonimato.
A Fluxus e a holding J&F, da família Batista, recusaram-se a comentar.
A diplomacia itinerante do bilionário, cuja família detém a empresa de processamento de carne JBS JBSS.O, que possui uma forte presença nos EUA e já fez negócios na Venezuela, ressalta seu acesso em Washington e em capitais de toda a América.
Seu encontro com o presidente Donald Trump em setembro ajudou a descongelar as relações dos EUA com Brasília (link), noticiou a Reuters na época. Em poucas semanas, Trump já estava alardeando sua "excelente química" com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e, em poucos meses, suspendeu as altas tarifas americanas sobre muitos produtos brasileiros, incluindo carne bovina e café (link).
A viagem de Batista a Caracas na sexta-feira, noticiada primeiramente pela CNN Brasil, ocorreu após uma visita em novembro ao então presidente Nicolás Maduro, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto. Maduro foi detido em uma operação militar dos EUA neste mês para ser julgado por acusações de tráfico de drogas (link).
Desta vez, Batista viajou em um avião particular de Washington para Caracas para se encontrar com Rodríguez e descobriu que o ex-vice-presidente de Maduro estava disposto a abrir o setor energético e a cumprir os compromissos com os Estados Unidos, disse a fonte. Batista voltou para Washington e transmitiu a informação às autoridades locais.
A recente incursão da família Batista no setor de energia faz parte de uma diversificação mais ampla de seus investimentos desde que transformaram a JBS na maior processadora de carne do mundo.
No ano passado, a JBS conseguiu uma listagem nos EUA há muito esperada (link) e contribuiu com US$ 5 milhões para o comitê de posse de Trump por meio de sua subsidiária norte-americana Pilgrims Pride PPC.O.
Enquanto as grandes empresas petrolíferas dos EUA têm se mostrado cautelosas em retornar à Venezuela, dado seu histórico de nacionalizações na indústria de energia, empresas regionais menores estão ansiosas por acesso às maiores reservas de petróleo declaradas do mundo.
"É certamente uma oportunidade, mas existem riscos", disse Marcio Felix, chefe de um grupo do setor que representa pequenas empresas de energia no Brasil, em um evento na terça-feira. "Se você esperar até que tudo esteja resolvido, não haverá mais espaço."