
Por Marianna Parraga
HOUSTON, 8 Jan (Reuters) - A produtora de petróleo Chevron CVX.N está em negociações com o governo dos EUA para expandir uma licença fundamental de operação na Venezuela, de forma a aumentar as exportações de petróleo bruto para suas próprias refinarias e para outros compradores, disseram quatro fontes próximas às negociações nesta quarta-feira.
As conversas acontecem em um momento em que Washington e Caracas avançam nas negociações para o fornecimento de até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano aos Estados Unidos, e o presidente Donald Trump pressiona as empresas petrolíferas americanas a investirem no setor energético do país sul-americano.
Autoridades americanas afirmaram esta semana que a receita proveniente do fornecimento de petróleo venezuelano, que se espera que ajude a estatal de energia PDVSA a reduzir seus estoques em meio a um severo bloqueio petrolífero, será destinada a um fundo fiduciário supervisionado pelos EUA. Os recursos serão utilizados para financiar o fornecimento de bens norte-americanos à Venezuela.
A Chevron é a única grande petrolífera norte-americana que opera na Venezuela, o que faz sob uma autorização do governo dos EUA que a isenta das sanções contra o país.
Como parte de sua campanha de endurecimento das sanções para enfraquecer o presidente venezuelano Nicolás Maduro, o governo Trump impôs, em julho, restrições adicionais à licença da Chevron. Essas restrições reduziram o volume de petróleo bruto venezuelano que a empresa exporta para os EUA para cerca de 100 mil barris por dia (bpd) em dezembro, partindo de 250.000 barris por dia no início deste ano.
As restrições também privaram a PDVSA de quaisquer receitas provenientes das exportações da Chevron.
A expansão da licença permitiria à Chevron retornar aos níveis de exportação anteriores, ao mesmo tempo que forneceria petróleo bruto venezuelano a parceiros comerciais que poderiam alocar as cargas em destinos diferentes dos EUA, como a empresa fazia no passado.
Alguns desses antigos parceiros comerciais, incluindo uma refinaria indiana, estavam esta semana fazendo consultas em Caracas sobre a possível retomada dos carregamentos de petróleo na Venezuela, disseram duas das fontes.
Washington também está pressionando para que outras empresas americanas se envolvam nas exportações de petróleo da Venezuela, incluindo a refinaria Valero Energy VLO.N, que era cliente da estatal PDVSA antes das sanções, e as gigantes Exxon Mobil XOM.N e ConocoPhillips COP.N, cujos ativos venezuelanos foram expropriados há duas décadas, disseram três fontes distintas do setor.
A possível participação de algumas dessas empresas gerou tensão nas negociações entre Caracas e Washington, disseram três das fontes.
Chevron, Valero, Exxon e Conoco não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
"Embora não comentemos sobre licenças ou pedidos de licenciamento específicos, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos está totalmente comprometido em apoiar os esforços do presidente Trump em nome do povo da Venezuela", disse um porta-voz do departamento.
A PDVSA afirmou na quarta-feira que está avançando nas negociações com os EUA para exportações de petróleo para aquele país em termos semelhantes aos vigentes para sua parceira Chevron.
""O processo (...) baseia-se em transações estritamente comerciais, em termos legais, transparentes e benéficos para ambas as partes", afirmou em comunicado, sem fornecer mais detalhes.
Um membro do conselho da PDVSA afirmou separadamente que a empresa espera vender seu petróleo a preços de mercado.
Os Estados Unidos, que na quarta-feira abordaram e apreenderam dois petroleiros ligados à Venezuela no Oceano Atlântico, afirmaram que o embargo de petróleo ao país permanece em vigor, com as cargas a bordo de embarcações sancionadas pelos EUA sendo alvo das sanções.