
Por Timour Azhari e Christoph Steitz
RIAD/FRANKFURT, 13 Nov (Reuters) - A empresa norte-americana GE Vernova GEV.N e a alemã Siemens Energy ENR1n.DE estão em negociações para fornecer turbinas a gás para um projeto de US$ 7 bilhões que visa reconstruir o setor de energia da Síria, danificado pela guerra, disseram à Reuters três pessoas familiarizadas com o assunto.
A Síria assinou (link) em maio um acordo com uma subsidiária da Power International Holding do Catar para a construção de quatro usinas termelétricas a gás de ciclo combinado, com capacidade total de 4.000 megawatts. O acordo também inclui um componente de energia solar de 1.000 MW.
Uma das fontes afirmou que a Siemens Energy e a GE Vernova podem ambas ser contempladas com contratos para o projeto, acrescentando, porém, que ainda é cedo para dizer quando os acordos poderão ser concluídos.
Não foram divulgados detalhes sobre o montante orçado para as turbinas no âmbito do projeto. E nenhuma das três fontes soube estimar o valor potencial dos contratos das turbinas.
As negociações também podem levar a acordos que vão além das turbinas, incluindo o fornecimento de infraestrutura crítica para a rede elétrica, disse outra das fontes.
Empresas Ocidentais buscam se beneficiar da reconstrução.
A conclusão bem-sucedida dos acordos tornaria a Siemens Energy e a GE Vernova entre as primeiras empresas ocidentais a se beneficiarem da reconstrução do setor elétrico da Síria, desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, (link) suspendeu a maioria das sanções (link) contra Damasco no início deste ano.
A Siemens Energy informou à Reuters que "uma delegação local se reuniu com autoridades sírias para explorar como o fornecimento de energia do país poderia ser melhorado a curto prazo".
"Embora não tenham sido firmados acordos ou contratos específicos, estamos prontos para contribuir com nossa experiência técnica caso isso possa ajudar a estabelecer e estabilizar um fornecimento de energia confiável e apoiar a população", disse um porta-voz da empresa.
A GE Vernova e a PIH não responderam aos pedidos de comentários. O Ministério da Informação da Síria também não respondeu imediatamente a um pedido de comentários.
REVITALIZANDO UM SETOR DE ENERGIA DEVASTADO PELA GUERRA
Após a deposição do presidente Bashar al-Assad pelos rebeldes no final do ano passado, a Síria tem buscado um realinhamento estratégico, afastando-se do Irã sob a liderança de seu novo presidente, Ahmed al-Sharaa, que se reuniu com Trump em Washington esta semana (link).
As empresas norte-americanas Baker Hughes BKR.O, Hunt Energy e Argent LNG anunciaram em julho que planejavam apoiar a reconstrução pós-guerra com um plano diretor para explorar (link) e extrair petróleo e gás e produzir energia.
Devido à destruição da infraestrutura energética durante os 14 anos de guerra civil, a Síria produz hoje apenas uma fração da eletricidade de que necessita, embora o fornecimento de energia tenha melhorado consideravelmente nos últimos meses graças ao gás proveniente do Azerbaijão (link) e do Catar (link).
Na quarta-feira, a Dana Gas DANA.AD, sediada nos Emirados Árabes Unidos, anunciou a assinatura de um acordo preliminar (link) com a companhia petrolífera estatal da Síria para avaliar a possibilidade de revitalizar os campos de gás natural afetados durante a guerra.
Estima-se que a produção interna de gás natural da Síria tenha diminuído para 3 bilhões de metros cúbicos em 2023, ante 8,7 bilhões de metros cúbicos em 2011, devido à guerra.