
JERUSALÉM/CAIRO, 17 Jan (Reuters) - O grupo militante palestiniano Hamas deverá libertar os primeiros reféns no âmbito de um acordo de cessar-fogo em Gaza no domingo, informou o gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, esta sexta-feira, após 15 meses de guerra que destruíram o enclave.
Se for bem sucedido, o cessar-fogo porá termo aos combates que arrasaram grande parte da fortemente urbanizada Faixa de Gaza, que mataram mais de 46.000 pessoas e que deslocaram várias vezes a maior parte da população do pequeno enclave, que antes da guerra era de 2,3 milhões de pessoas, segundo as autoridades locais.
A guerra de Gaza poderá também atenuar as hostilidades no Médio Oriente, onde o Irão e os seus representantes, o Hezbollah, do Líbano, os Houthis, do Iémen, e os grupos armados no Iraque, se tornaram parte da guerra.
No âmbito da primeira fase de seis semanas do acordo em três etapas, o Hamas libertará 33 reféns israelitas, incluindo todas as mulheres (soldados e civis), crianças e homens com mais de 50 anos.
Israel libertará todas as mulheres e crianças palestinianas com menos de 19 anos detidas nas prisões israelitas até ao final da primeira fase. O número total de palestinianos libertados dependerá dos reféns libertados, podendo situar-se entre 990 e 1650 palestinianos, incluindo homens, mulheres e crianças.
O Hamas afirmou, numa declaração esta sexta-feira, que os obstáculos que surgiram em relação aos termos do acordo de cessar-fogo em Gaza foram resolvidos.
Na Faixa de Gaza, os aviões de guerra israelitas mantiveram os ataques intensos e o Serviço de Emergência Civil disse, esta sexta-feira, que pelo menos 101 pessoas, incluindo 58 mulheres e crianças, tinham sido mortas desde que o acordo foi anunciado na quarta-feira.
A aceitação do acordo por parte de Israel só será oficial quando for aprovado pelo gabinete de segurança e pelo governo do país.
Nas primeiras horas desta sexta-feira, o governo de Netanyahu disse que o gabinete de segurança de Israel reunir-se-á para dar a aprovação final ao acordo de cessar-fogo, após a reunião ter sido adiada de quinta-feira, o que suscitou receios de adiamentos.
A reunião do Conselho de Ministros será realizada mais tarde, mas não se sabe exactamente quando.
Israel culpou o Hamas pelo atraso de última hora, enquanto que o Hamas afirmou, na quinta-feira, que estava empenhado no acordo, que deverá entrar em vigor no domingo.
Sublinhando os potenciais obstáculos que se colocam a um cessar-fogo final, a linha dura da coligação de Netanyahu opôs-se ao acordo como uma capitulação ao Hamas, que governa Gaza, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, ameaçou demitir-se se o acordo fosse aprovado. No entanto, afirmou que não iria derrubar o governo.
O seu colega da linha dura, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, também ameaçou abandonar o governo se este não voltar à guerra para derrotar o Hamas após a conclusão da primeira fase de seis semanas do cessar-fogo.
No entanto, espera-se que a maioria dos ministros apoie o acordo.
Texto integral em inglês: nL1N3OD010
(Por James Mackenzie e Nidal al-Mughrabi; escrito por Michael Georgy; Tradução para português por Tiago Brandão, Gdansk Newsroom)
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