Por Joey Roulette
WASHINGTON, 31 Jul (Reuters) - O novo administrador temporário da Nasa, Sean Duffy, realizou nesta quinta-feira uma rara reunião na Flórida cara a cara com o chefe da agência espacial russa, Dmitry Bakanov, ocasião em que discutiram a cooperação na Lua e a manutenção do relacionamento de longa data das duas potências na Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês), disse a Roscosmos.
As conversas no Centro Espacial Kennedy, da agência espacial dos EUA, marcaram a primeira reunião presencial entre os chefes da Nasa e da agência espacial russa, Roscosmos, desde 2018. A Nasa não compartilhou informações sobre a reunião ou respondeu a perguntas sobre ela.
A conversa, que coincidiu com uma tentativa de lançamento de uma tripulação conjunta de astronautas da Flórida para a ISS, foi um momento significativo para as relações espaciais às vezes turbulentas de Washington com a Rússia -- especialmente para Duffy, um administrador interino da Nasa, designado para a função apenas neste mês, enquanto também supervisiona o Departamento de Transportes.
A Roscosmos mostrou no Telegram um vídeo da reunião entre Duffy e Bakanov, cada um ladeado por sua equipe, e outros eventos em que Bakanov e sua delegação podem ser vistos entre autoridades americanas.
A agência espacial russa disse que "as partes discutiram mais trabalho na ISS, cooperação em programas lunares, exploração conjunta do espaço profundo, interação contínua em outros projetos espaciais".
A Roscosmos e a Nasa não responderam às perguntas sobre a natureza do programa lunar ou das discussões sobre o espaço profundo. Essas conversas poderiam sinalizar o descongelamento das relações entre os programas espaciais civis dos dois países e representar uma mudança nas relações espaciais globais.
A Rússia tinha planos de participar do programa lunar Artemis, carro-chefe da Nasa, até invadir a Ucrânia em fevereiro de 2022. Ela se tornou parceira do programa lunar da China, a Estação Internacional de Pesquisa Lunar, um rival direto do programa Artemis dos EUA.
A guerra levou a um programa espacial russo amplamente isolado, que desde então impulsionou os investimentos em esforços espaciais militares, enquanto quase todos os projetos conjuntos de exploração espacial com o Ocidente entraram em colapso.
A delegação russa visitou o Centro Espacial Johnson da Nasa em Houston na quarta-feira e nesta quinta-feira estava pronta para assistir ao lançamento da Crew-11, uma missão de rotina para a ISS com dois astronautas norte-americanos, um cosmonauta russo e um astronauta japonês. Mas o mau tempo adiou o lançamento para a manhã de sexta-feira, informou a SpaceX.
Embora as tensões entre os EUA e a Rússia relacionadas à guerra na Ucrânia tenham limitado o contato entre a Nasa e a Roscosmos, elas continuaram a compartilhar voos de astronautas e a cooperar na ISS, um totem de 25 anos de diplomacia científica crucial para a manutenção das capacidades de voos espaciais humanos das duas potências espaciais.
A amizade na ISS de US$100 bilhões é sustentada principalmente por uma interdependência técnica: o segmento russo depende da energia gerada pelos painéis solares norte-americanos, enquanto a tarefa de manter a altitude da estação é atribuída aos propulsores russos. Diversos outros países dependem da ISS para pesquisas em microgravidade, com destaque para a Agência Espacial Europeia, o Canadá e o Japão.
A expectativa era que Bakanov e Duffy discutissem a extensão do acordo de troca de assentos de astronautas entre os dois países -- no qual os astronautas norte-americanos voam em cápsulas Soyuz russas em troca de astronautas russos que voam em cápsulas americanas -- e o descarte planejado da ISS em 2030, de acordo com a agência de notícias russa TASS.
(Reportagem de Joey Roulette em Washington)
((Tradução Redação Brasília))
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