Aura Minerals no 2º trimestre de 2026: receita sobe 76%, custos aumentam
A Aura Minerals reportou no 2º trimestre de 2026 receita de US$ 336 milhões, alta anual de 76%, impulsionada por maiores preços de metais e volumes. Apesar do lucro líquido robusto, o resultado foi inflado por ganhos contábeis com hedges. O desempenho operacional foi misto: Almas e Borborema destacaram-se, enquanto a MSG pressionou margens e custos devido a desafios no desenvolvimento subterrâneo. A companhia reiterou suas projeções anuais, mas o cumprimento das metas depende da recuperação operacional da MSG e do acesso a minérios de maior teor, em meio a um cenário de custos unitários crescentes.
Dados financeiros principais
A Aura Minerals (NASDAQ: AUGO) reportou receita líquida de US$ 336,0 milhões no 2º trimestre de 2026, alta de 76% na comparação anual, enquanto o lucro líquido aumentou para US$ 217,7 milhões, ante US$ 8,1 milhões. A empresa não divulgou EPS no comunicado. A produção cresceu 18%, para 75.437 onças equivalentes de ouro (GEO), e o EBITDA ajustado avançou 85%, para US$ 196,7 milhões. No entanto, custos unitários mais elevados e a recuperação operacional da MSG pressionaram a rentabilidade, enquanto um ganho não caixa com hedges de ouro elevou de forma relevante o lucro líquido reportado.
Preços mais altos dos metais, aumento de 26% nos volumes de vendas e contribuições de Borborema e MSG impulsionaram a alta anual da receita. Os preços médios realizados de ouro e cobre subiram 35% e 41%, respectivamente, enquanto as vendas alcançaram 78.414 GEO.
Na comparação sequencial, o cenário foi mais fraco: a receita caiu 12%, o lucro bruto recuou 16% e o EBITDA ajustado diminuiu 19% em relação ao 1º trimestre de 2026. Menores vendas e um preço médio realizado de ouro mais baixo foram os principais fatores.
| Métrica | 2º tri de 2026 | 2º tri de 2025 | Variação anual |
|---|---|---|---|
| Receita líquida | US$ 336,0 milhões | US$ 190,4 milhões | +76% |
| Lucro bruto / margem | US$ 191,5 milhões / 57% | US$ 103,9 milhões / 55% | +84% / +2 p.p. |
| Lucro operacional | US$ 175,3 milhões | US$ 91,0 milhões | +93% |
| Lucro líquido | US$ 217,7 milhões | US$ 8,1 milhões | +2.572% |
| Lucro líquido ajustado | US$ 97,4 milhões | US$ 36,8 milhões | +164% |
| EBITDA ajustado / margem | US$ 196,7 milhões / 59% | US$ 106,2 milhões / 56% | +85% / +3 p.p. |
| Fluxo de caixa operacional | US$ 111,9 milhões | US$ 79,9 milhões | +40% |
| Fluxo de caixa livre recorrente | US$ 80,2 milhões | US$ 60,4 milhões | +33% |
O EBITDA ajustado, o lucro líquido ajustado e o fluxo de caixa livre recorrente são medidas não IFRS utilizadas pela Aura e podem não ser diretamente comparáveis a medidas com nomes semelhantes divulgadas por outras empresas.
Desempenho operacional e das minas
A produção total aumentou 18% em relação ao ano anterior aos preços atuais dos metais, ou 16% a preços constantes. O crescimento veio principalmente da entrada de Borborema em produção comercial, da adição da MSG e do maior processamento em Almas, parcialmente compensados por menor produção em Aranzazu, Apoena e Minosa.
As unidades operacionais apresentaram divergência clara. Almas e Borborema geraram os maiores EBITDA ajustados no nível das minas, enquanto a MSG registrou prejuízo, pois o desenvolvimento subterrâneo e a alimentação de menor teor afetaram a produção e os custos.
| Mina | Produção no 2º tri | Variação anual | Receita líquida | EBITDA ajustado |
|---|---|---|---|---|
| Aranzazu | 17.882 GEO | -20% | US$ 74,8 milhões | US$ 47,4 milhões |
| Apoena | 5.704 GEO | -31% | US$ 25,4 milhões | US$ 13,7 milhões |
| Minosa | 14.284 GEO | -21% | US$ 64,3 milhões | US$ 43,2 milhões |
| Almas | 16.130 GEO | +25% | US$ 79,3 milhões | US$ 56,2 milhões |
| Borborema | 14.251 GEO | +453% | US$ 63,2 milhões | US$ 47,3 milhões |
| MSG | 7.186 GEO | n.d. | US$ 28,9 milhões | US$ (1,1) milhão |
Almas foi beneficiada pela expansão de sua planta, com a alimentação de minério da usina aumentando 34% em relação ao ano anterior. O crescimento anual excepcionalmente elevado de Borborema reflete seu status pré-comercial no 2º trimestre de 2025; sequencialmente, sua produção caiu 17% devido a teores mais baixos resultantes do sequenciamento planejado da mina.
Na MSG, a produção caiu 16% em relação ao 1º trimestre, à medida que o teor médio recuou de 1,54 g/t para 0,90 g/t. Material de superfície e de estoques de menor teor representou uma parcela maior da alimentação da planta, enquanto a Aura priorizou a infraestrutura subterrânea e o desenvolvimento primário. A Apoena também enfrentou teores mais baixos durante o desenvolvimento da cava Nosde, enquanto a Minosa foi afetada por níveis mais altos de empilhamento em sua pilha de lixiviação e menor alimentação da planta.
Rentabilidade, fluxo de caixa e balanço patrimonial
O custo caixa aumentou 32% em relação ao ano anterior, para US$ 1.513/GEO, enquanto o custo all-in sustaining (AISC) subiu 37%, para US$ 1.985/GEO. A MSG foi a principal fonte de pressão, reportando custo caixa de US$ 3.852/GEO e AISC de US$ 5.277/GEO. Excluindo a MSG, o AISC da Aura no segundo trimestre foi de US$ 1.653/GEO, alta de 14% na comparação anual.
O fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 80,2 milhões, alta de 33% em relação ao ano anterior, mas queda de 15% sequencialmente. O menor EBITDA ajustado, os maiores investimentos de capital e US$ 37,2 milhões em perdas realizadas com hedges de ouro superaram os efeitos favoráveis das variações de capital de giro e dos menores impostos pagos em comparação com o 1º trimestre.
O investimento de capital total foi de US$ 84,3 milhões, alta de 68% em relação ao ano anterior. Os gastos com expansão somaram US$ 53,5 milhões, destinados principalmente a Apoena, Era Dorada e Almas.
A Aura encerrou o trimestre com US$ 248,3 milhões em caixa e US$ 441,2 milhões em dívida bruta. A dívida líquida aumentou de US$ 115,2 milhões ao fim do 1º trimestre para US$ 168,0 milhões, refletindo investimentos de capital e US$ 67,7 milhões em dividendos e recompras de ações, parcialmente compensados pelo fluxo de caixa livre. A dívida líquida permaneceu equivalente a 0,21 vez o EBITDA ajustado dos últimos 12 meses.
Contabilização de hedges elevou o lucro líquido, enquanto liquidações em caixa reduziram o fluxo de caixa livre
O aumento do lucro líquido reportado foi muito maior do que a melhora nas operações subjacentes da Aura. O lucro operacional subiu 93% em relação ao ano anterior, para US$ 175,3 milhões, mas a empresa também registrou um ganho não caixa de US$ 126,0 milhões, a valor de mercado, com hedges de ouro, à medida que o preço do ouro caiu entre o início e o fim do trimestre.
Ao mesmo tempo, posições de hedge liquidadas geraram US$ 37,2 milhões em perdas de caixa realizadas, reduzindo diretamente o fluxo de caixa livre recorrente. Após excluir o ganho não caixa com hedge, perdas cambiais e impostos diferidos sobre itens não monetários, o lucro líquido ajustado foi de US$ 97,4 milhões — bem abaixo do lucro líquido reportado, embora ainda 164% maior em relação ao ano anterior.
A Aura tinha 166.578 onças cobertas por collars de ouro em aberto associados à produção de Borborema. Essas posições vencem entre julho de 2026 e junho de 2028 e têm preços-teto de US$ 2.400 por onça, deixando os resultados futuros de caixa expostos a perdas realizadas com hedge quando os preços do ouro excederem esses tetos.
Projeções para 2026
A Aura reiterou suas projeções para o ano inteiro de produção, custo caixa, AISC e investimentos de capital. A administração espera produção de 182.000 a 232.000 GEO no segundo semestre, tornando a melhora na produção e nos custos da MSG e da Apoena importante para o cumprimento das metas anuais.
Para comparabilidade com as projeções anuais de custos, a tabela utiliza os números do primeiro semestre da Aura calculados aos preços dos metais usados nas projeções, quando disponíveis.
| Métrica | Projeções para 2026 | Resultado do 1º semestre de 2026 | Status |
|---|---|---|---|
| Produção | 340.000–390.000 GEO | 155.000 GEO aos preços das projeções | Reiterada |
| Custo caixa | US$ 1.303–US$ 1.411/GEO | US$ 1.453/GEO aos preços das projeções | Reiterada |
| AISC | US$ 1.720–US$ 1.865/GEO | US$ 1.847/GEO aos preços das projeções | Reiterada |
| Investimento de capital total | US$ 386 milhões–US$ 462 milhões | US$ 128 milhões | Reiterada |
O custo caixa do primeiro semestre aos preços das projeções ficou acima da faixa anual, enquanto o AISC ficou próximo de seu limite superior. A Aura espera que a recuperação operacional da MSG, minério de maior teor na Apoena e sequenciamento de mina mais favorável em outras operações melhorem o desempenho dos custos no segundo semestre.
Perspectivas da administração
A administração informou que a construção de Era Dorada permaneceu dentro do cronograma, com 60% da terraplenagem concluída e investimento acumulado de US$ 15,3 milhões até junho. A Aura também está avançando Almas em direção a uma capacidade anual de processamento de 3 milhões de toneladas e concluindo trabalhos de engenharia para um possível aumento de capacidade em Borborema.
Na MSG, a empresa concluiu aproximadamente 1.845 metros de desenvolvimento subterrâneo durante o segundo trimestre e 3.645 metros no primeiro semestre. O investimento visa estabelecer infraestrutura para um aumento de produção em 2027, embora o trabalho esteja atualmente reduzindo a produção e elevando os custos unitários.
Transações recentes de insiders
As dez transações de insiders reportadas mais recentes fornecidas abrangem o período de 12 de maio a 2 de julho de 2026. Oito foram vendas, uma foi compra e uma envolveu a conversão ou o exercício de um valor mobiliário derivativo; esses registros não estabelecem os motivos das transações.
| Data | Insider e cargo | Ação | Preço por ação | Valor reportado |
|---|---|---|---|---|
| 2 de jul. de 2026 | Glauber Rosa Luvizotto, COO | Venda, direta | US$ 65,23 | US$ 1.240.022 |
| 1º de jul. de 2026 | Glauber Rosa Luvizotto, COO | Venda, direta | US$ 65,00 | US$ 149.500 |
| 30 de jun. de 2026 | Joao Kleber dos Santos Cardoso, CFO | Venda, direta | US$ 61,08–US$ 62,90 | US$ 3.716.994 |
| 26 de jun. de 2026 | Glauber Rosa Luvizotto, COO | Venda, direta | US$ 65,27 | US$ 1.459.894 |
| 22 de jun. de 2026 | Glauber Rosa Luvizotto, COO | Venda, direta | US$ 65,22 | US$ 412.386 |
| 3 de jun. de 2026 | Bruno Sousa Mauad, diretor | Compra, indireta | US$ 64,95 | US$ 181.860 |
| 29 de mai. de 2026 | Bruno Sousa Mauad, diretor | Venda, indireta | US$ 76,98–US$ 77,48 | US$ 10.238.765 |
| 27 de mai. de 2026 | Bruno Mauad, diretor | Venda, indireta | US$ 75,62 | US$ 729.884 |
| 22 de mai. de 2026 | Joao Kleber dos Santos Cardoso, CFO | Conversão/exercício, direta | US$ 17,35 | US$ 137.516 |
| 12 de mai. de 2026 | Rodrigo Cardoso Barbosa, CEO | Venda, direta | US$ 81,43–US$ 82,63 | US$ 9.430.450 |
Considerando todas as 15 transações no resumo de seis meses fornecido, os insiders registraram compras líquidas de 145.518 ações e detinham um total de 43,04 milhões de ações.
Riscos que os investidores devem monitorar
- A melhora dos custos no segundo semestre é necessária: O custo caixa do primeiro semestre aos preços dos metais usados nas projeções excedeu a faixa anual. O cumprimento das projeções depende de melhor desempenho na MSG, acesso a minério de maior teor na Apoena e sequenciamento favorável das minas em outras operações.
- A recuperação operacional da MSG continua sendo um fator negativo para as operações: A MSG registrou prejuízo de EBITDA ajustado no segundo trimestre e AISC de US$ 5.277/GEO. Atrasos ou uma melhora inferior à planejada podem pressionar as margens consolidadas e o fluxo de caixa livre.
- Os collars de ouro podem reduzir o fluxo de caixa realizado: A empresa registrou US$ 37,2 milhões em perdas realizadas com hedge no segundo trimestre, e os collars em aberto de Borborema se estendem até junho de 2028, com preços-teto inferiores ao preço realizado de ouro no segundo trimestre.
- Os gastos com expansão estão aumentando as necessidades de caixa: O investimento de capital no segundo trimestre subiu para US$ 84,3 milhões e a dívida líquida aumentou sequencialmente. A Aura precisa equilibrar investimentos em Era Dorada, Almas, Apoena e MSG com distribuições aos acionistas e liquidez.
- A produção continua sensível a teores e recuperações: Teores mais baixos afetaram Apoena, Borborema e MSG, enquanto as condições da pilha de lixiviação reduziram a produção da Minosa. A continuidade da variabilidade operacional pode afetar a produção e os custos unitários.
Resumo
Os resultados da Aura no 2º trimestre de 2026 combinaram maior produção, preços dos metais e vendas na comparação anual com custos unitários crescentes e desempenho sequencial mais fraco. Almas e Borborema sustentaram o crescimento, enquanto a MSG foi o principal fator negativo operacional e de custos. O lucro líquido reportado foi substancialmente impulsionado por um ganho não caixa com hedge, tornando os lucros ajustados e o fluxo de caixa mais representativos do desempenho subjacente do trimestre. O próximo teste é se as melhorias no segundo semestre na MSG, Apoena e outras minas poderão levar os custos caixa de volta à faixa das projeções anuais, enquanto a Aura mantém seu programa de expansão.
Este artigo pode conter conteúdo gerado ou traduzido por IA, revisado por humanos, destinado apenas para referência e informações gerais, não constituindo recomendação de investimento.
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