Resultados da Coty no 4º Trimestre Fiscal de 2026: Vendas Voltam a Crescer com Contração das Margens
A Coty registrou receita de US$ 1,2692 bilhão no quarto trimestre fiscal de 2026, alta de 1%, mas a receita comparável caiu 1% e o prejuízo diluído por ação aumentou para US$ 0,16. O fluxo de caixa operacional e livre cresceu expressivamente, e a dívida total diminuiu. Para o primeiro trimestre de 2027, a empresa projeta queda na receita comparável e margens pressionadas. A devolução da licença da Gucci Beauty simplifica o portfólio, mas trará impactos negativos no ano fiscal de 2028, tornando fundamentais a redução de custos e a reestruturação das marcas principais.
A Coty Inc. (NYSE: COTY) informou que a receita no quarto trimestre fiscal de 2026 foi de US$ 1,2692 bilhão, alta de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o prejuízo diluído por ação segundo os GAAP aumentou para US$ 0,16, ante US$ 0,08. O prejuízo ajustado por ação melhorou para US$ 0,02, ante US$ 0,05, mas o EBITDA ajustado caiu 26%, com o menor lucro bruto pressionando o desempenho operacional. No trimestre encerrado em 30 de junho de 2026, as vendas divulgadas se estabilizaram e a geração de caixa melhorou, embora a receita subjacente tenha permanecido menor.
Principais Resultados Financeiros
O crescimento da receita divulgada incluiu um benefício cambial de 3%. Na comparação comparável (like-for-like), a receita caiu 1%, incluindo um impacto negativo estimado de 1% decorrente do conflito no Oriente Médio.
A lucratividade enfraqueceu porque os volumes reduzidos diminuíram a absorção de custos, enquanto acréscimos de tarifas e encargos com estoques excedentes e obsoletos exerceram pressão adicional. O prejuízo líquido ajustado diminuiu apesar dos resultados operacionais mais fracos, em parte porque o impacto negativo de marcação a mercado do swap de ações da Coty caiu de US$ 59,6 milhões para US$ 10,0 milhões.
| Métrica | 4º Trimestre Fiscal de 2026 | 4º Trimestre Fiscal de 2025 | Variação Anual |
|---|---|---|---|
| Receita líquida | US$ 1.269,2 milhões | US$ 1.252,4 milhões | Alta de 1% |
| Margem bruta divulgada | 60,9% | 62,3% | Queda de 140 pontos-base |
| Resultado operacional divulgado (prejuízo) | US$ (42,7) milhões | US$ 15,5 milhões | Reverteu para prejuízo |
| Prejuízo líquido divulgado | US$ (144,3) milhões | US$ (72,1) milhões | Prejuízo aumentó |
| LPA divulgado diluído | US$ (0,16) | US$ (0,08) | Prejuízo aumentó |
| Lucro operacional ajustado | US$ 39,5 milhões | US$ 67,7 milhões | Queda de 42% |
| LPA ajustado | US$ (0,02) | US$ (0,05) | Prejuízo diminuiu |
| EBITDA ajustado | US$ 93,6 milhões | US$ 126,7 milhões | Queda de 26% |
| Fluxo de caixa operacional | US$ 116,0 milhões | US$ 83,2 milhões | Alta de aproximadamente 39% |
| Fluxo de caixa livre | US$ 72,6 milhões | US$ 34,9 milhões | Alta de aproximadamente 108% |
Os resultados ajustados e o fluxo de caixa livre são medidas não GAAP definidas pela Coty. Os parênteses indicam prejuízos.
Desempenho Regional e por Segmento
Tanto a Prestige quanto a Consumer Beauty registraram crescimento de 1% na receita divulgada, mas o câmbio mascarou quedas no critério comparável (like-for-like). Em termos regionais, o crescimento nas Américas e na Ásia-Pacífico compensou as vendas menores na EMEA.
| Segmento ou Região | Receita no 4º Trimestre Fiscal de 2026 | Variação Divulgada | Variação LFL |
|---|---|---|---|
| Prestige | US$ 771,8 milhões | Alta de 1% | Queda de 0,5% |
| Consumer Beauty | US$ 497,4 milhões | Alta de 1% | Queda de 3% |
| Américas | US$ 554,7 milhões | Alta de 9% | Alta de 6% |
| EMEA | US$ 528,9 milhões | Queda de 8% | Queda de 10% |
| Ásia-Pacífico | US$ 185,6 milhões | Alta de 11% | Alta de 7% |
A divisão Prestige, que representou 61% das vendas trimestrais, beneficiou-se da maior receita de cosméticos de prestígio e fragrâncias, parcialmente compensada pelas vendas menores de cuidados com a pele (skincare). Seu lucro operacional ajustado caiu 19%, para US$ 60,2 milhões, enquanto o EBITDA ajustado recuou 17%, para US$ 85,8 milhões. Envios menores de fragrâncias, tarifas, absorção de custos relacionada ao volume e custos fixos mais altos pesaram sobre a lucratividade.
A Consumer Beauty gerou 39% das vendas. O crescimento em produtos de massa para o corpo e cuidados com a pele foi parcialmente compensado pela menor receita de cosméticos coloridos de massa. O prejuízo operacional ajustado do segmento aumentou de US$ 7,0 milhões para US$ 20,7 milhões, enquanto o EBITDA ajustado caiu 67%, para US$ 7,8 milhões. A Coty atribuiu a pressão à subabsorção da cadeia de suprimentos, encargos com estoques excedentes e obsoletos e tarifas.
As Américas se beneficiaram das vendas mais altas nos EUA, no Brasil e no varejo de viagem (travel retail) regional. O crescimento na Ásia-Pacífico refletiu os desempenhos na China, no Sudeste Asiático, na Austrália, na Nova Zelândia e no travel retail. A EMEA foi afetada por vendas menores no Oriente Médio, na Alemanha e na Europa Central e Oriental.
Lucratividade, Fluxo de Caixa e Balanço Patrimonial
A contração de 140 pontos-base na margem bruta impactou a margem operacional ajustada, que diminuiu 230 pontos-base, para 3,1%. A margem EBITDA ajustada caiu 270 pontos-base, para 7,4%. A margem operacional divulgada passou de 1,2% positivo para 3,4% negativo.
O fluxo de caixa caminhou na direção oposta. O fluxo de caixa operacional trimestral subiu para US$ 116,0 milhões, e o fluxo de caixa livre mais que dobrou, alcançando US$ 72,6 milhões. No ano fiscal completo — não no trimestre —, o fluxo de caixa operacional aumentou de US$ 492,6 milhões para US$ 537,8 milhões, enquanto o fluxo de caixa livre subiu de US$ 277,6 milhões para US$ 348,2 milhões.
A dívida total caiu para US$ 3,0882 bilhões em 30 de junho, ante US$ 3,2162 bilhões em 31 de março. A dívida líquida financeira diminuiu de US$ 2,9591 bilhões para US$ 2,9121 bilhões no mesmo período, resultando em uma relação dívida líquida/EBITDA ajustado de 3,4 vezes.
Saída da Gucci Beauty simplifica portfólio, mas cria lacuna no ano fiscal de 2028
Após o encerramento do trimestre, a Coty anunciou um acordo para devolver a licença da Gucci Beauty à Kering cerca de um ano antes da expiração prevista. A Coty recebeu US$ 250 milhões na assinatura e deve receber outros US$ 150 milhões até no máximo 30 de setembro de 2027, embora até US$ 30 milhões desse valor dependam de critérios especificados. A Coty também venderá estoques para apoiar a transição e continuará operando a Gucci Beauty pelo menos até 30 de junho de 2027.
A administração afirmou que os recursos apoiarão a redução da dívida, investimentos em marcas de fragrâncias e beleza de prestígio essenciais e mudanças organizacionais. A transação avança no processo de simplificação do portfólio da Coty, mas a gestão prevê que a saída da licença reduzirá vendas e lucros no ano fiscal de 2028.
A Coty planeja mitigar esse impacto acelerando as marcas principais, expandindo adições mais recentes ao portfólio — como a linha de maquiagem da Marc Jacobs Beauty e fragrâncias de marcas como Swarovski, Etro e Marni —, além de implementar um programa significativo de redução de custos fixos. O impacto financeiro exato da queda prevista para o ano fiscal de 2028 não foi divulgado.
Projeções para o Ano Fiscal de 2027
A Coty está fornecendo projeções quantitativas para o 1º trimestre fiscal de 2027 e para o fluxo de caixa livre do primeiro semestre, em vez de uma perspectiva mais ampla para todo o ano. A empresa espera que a receita e a lucratividade subjacentes continuem sob pressão no início do ano, com melhoria progressiva do desempenho à medida que as ações de custos e iniciativas de produtos se desenrolarem.
| Métrica | Projeção Mais Recente |
|---|---|
| Receita LFL no 1º tri do ano fiscal de 2027 | Queda percentual de um dígito baixo a médio na comparação anual |
| Efeito cambial na receita divulgada no 1º tri do ano fiscal de 2027 | Neutro |
| Margem bruta ajustada no 1º tri do ano fiscal de 2027 | Queda de aproximadamente 50 a 100 pontos-base na comparação anual |
| EBITDA ajustado no 1º tri do ano fiscal de 2027 | Queda percentual na faixa baixa dos 10% na comparação anual |
| LPA ajustado no 1º tri do ano fiscal de 2027, excluindo o swap de ações | US$ 0,11–US$ 0,13 |
| Fluxo de caixa livre do 1º semestre do ano fiscal de 2027 | Mais de US$ 300 milhões |
A queda esperada na margem bruta reflete a pressão de absorção de custos decorrente do menor volume de envios, parcialmente compensada por ações de produtividade e suprimentos (procurement). A administração descreveu o ano fiscal de 2027 como um ano de transição e planeja fornecer uma perspectiva mais ampla após concluir sua revisão estratégica, prevista para o final do ano civil de 2026.
Visão da Administração
A administração afirmou que o diferencial entre sell-in e sell-out diminuiu durante o trimestre, mas o desempenho de sell-out continuou abaixo do crescimento do mercado em ambas as divisões. Fechar essa lacuna de participação de mercado é um objetivo central no âmbito da estrutura estratégica Coty.Curated.
Entre as ações já em andamento estão o redimensionamento da organização comercial e de partes da área de P&D de Consumer Beauty e de marketing global de marcas. A Coty também está reduzindo o número de lançamentos de cosméticos coloridos e de SKUs, direcionando recursos para um menor número de lançamentos relevantes e produtos consolidados, além de incluir metas de participação de mercado em seu programa de incentivos.
Para a divisão Prestige, a Coty planeja se apoiar em marcas como Boss, Burberry, Calvin Klein, Marc Jacobs, Chloé e Kylie Cosmetics. Na Consumer Beauty, a empresa destacou os primeiros avanços em sell-out nos EUA para a Sally Hansen e a redução do diferencial de desempenho da CoverGirl, embora essas melhorias ainda não tenham evitado a deterioração do lucro trimestral da divisão.
Riscos que os Investidores Precisam Acompanhar
- Vendas subjacentes permanecem fracas: A receita divulgada subiu, mas as vendas no critério LFL caíram tanto na divisão Prestige quanto na Consumer Beauty. A administração também projeta uma queda LFL de um dígito baixo a médio no 1º trimestre fiscal de 2027.
- A pressão sobre as margens pode continuar: Menores volumes de envio, tarifas e encargos relacionados a estoques prejudicaram as margens no 4º trimestre, e a Coty prevê outra contração de 50 a 100 pontos-base na margem bruta ajustada no 1º trimestre.
- Consumer Beauty continua pesando na lucratividade: O prejuízo operacional ajustado da divisão aumentou, e sua revisão estratégica só será concluída no final do ano civil de 2026.
- Exposição geopolítica e à EMEA: A receita LFL na EMEA caiu 10%, enquanto o conflito no Oriente Médio gerou um impacto negativo estimado em 1% sobre as vendas trimestrais totais.
- A transição de portfólio traz risco de execução: A saída da Gucci Beauty criará uma lacuna de vendas e lucros no ano fiscal de 2028, tornando o desempenho das marcas principais, das novas licenças e das reduções planejadas de custos fixos cada vez mais crucial.
Resumo
A Coty encerrou o ano fiscal de 2026 com melhor impulso nas vendas divulgadas, fluxo de caixa mais forte e dívida menor, mas o câmbio mascarou a queda na receita subjacente e as margens operacionais se deterioraram. O ano fiscal de 2027 começa como um período de transição, com expectativa de pressão de curto prazo nas vendas e na margem bruta enquanto a Coty reestrutura seu portfólio e sua organização. O avanço na Consumer Beauty, a participação de mercado no sell-out, a economia de custos e as preparações para a saída da Gucci Beauty serão os principais indicadores para avaliar se a estabilização pode evoluir para uma recuperação operacional sustentada.
Este artigo pode conter conteúdo gerado ou traduzido por IA, revisado por humanos, destinado apenas para referência e informações gerais, não constituindo recomendação de investimento.
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