Estados afirmam que a Meta manipulou o Instagram e o Facebook para manter crianças viciadas
A Meta rejeitou na terça-feira as acusações de que teria criado o Facebook e o Instagram deliberadamente para viciar crianças, durante as alegações iniciais no tribunal federal de Oakland, em um caso movido por 29 estados. Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey lideram o julgamento.
A procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O'Neill, disse ao júri que o modelo da Meta era "viciar os usuários, mantê-los presos pelo maior tempo possível" e, em seguida, usar o que esses usuários geravam e esconder as próprias descobertas do público. Ela acrescentou que o modelo funcionava particularmente bem com crianças.
Ela afirmou que os estados não estavam tentando levar a empresa à falência e reconheceu que as redes sociais beneficiam algumas pessoas. As ações da Meta fecharam em queda de 4,4%, a US$ 543,67.

Os estados afirmam que a Meta fez do engajamento de adolescentes um objetivo do produto
O'Neill afirmou que a Meta estudou a psicologia dos jovens que buscam recompensas e validação de outras pessoas e usou esse conhecimento para desenvolver seu produto. Ela deu como exemplo um e-mail interno para Adam Mosseri, CEO do Instagram, sobre como direcionar o tempo de uso do Instagram para adolescentes, e como os funcionários se referiam ao Instagram como uma droga e a si mesmos como traficantes.
As próprias conclusões da Meta favoreciam a adoção precoce, disse ela, quanto mais cedo, melhor. Quanto aos usuários abaixo do limite de idade, O'Neill deixou claro para o júri que, assim que a empresadentum usuário do Facebook como tendo menos de 13 anos, desativaria esse perfil, mantendo o perfil do Instagram ativo.
Paul Schmidt, advogado da Meta, disse aos jurados que não há discordância quanto às dificuldades enfrentadas por algumas pessoas; contudo, afirmou que não havia provas de que o uso dessas plataformas de mídia social por adolescentes prejudicasse seu bem-estar, e que o termo "vício" não era consensual. Ele admitiu que, às vezes, os funcionários usavam linguagem informal, mas os jurados ouviriam o que o funcionário que chamou o Instagram de droga faria em seguida.
Ele afirma que, nos últimos quatro anos, a empresadent1,4 milhão de contas que apresentavam indícios de pertencerem a menores de idade. A Meta declarou separadamente que os estados estão buscando multas de até US$ 1,4 trilhão, o que corresponde aproximadamente a toda a sua capitalização de mercado.
O procurador-geral do Kentucky, Russell Coleman, classificou o caso como o maior processo de proteção ao consumidor da história americana.
Ex-executivo de segurança afirma que a Reels foi lançada sem salvaguardas suficientes
Os estados convocaram primeiro Arturo Béjar. Ele foi diretor de engenharia do Facebook de 2009 a 2015, cujo trabalho no combate ao cyberbullying lhe trouxe notoriedade pública, e retornou comotracde segurança de 2019 a 2021.
Béjar testemunhou que o que a empresa aprendeu sobre segurança nunca foi incorporado aos produtos, citando o conteúdo sobre transtornos alimentares, no qual os engenheiros "tiveram ótimas ideias de como melhorá-lo". Ele descreveu um padrão de lançamentos em que a segurança não foi levada em consideração, mencionando o Reels.
Espera-se que Zuckerberg e Mosseri prestem depoimento. O julgamento está previsto para durar seis semanas, com um júri consultivo e a juíza distrital dos EUA, Yvonne Gonzalez Rogers, decidindo sobre a responsabilidade.
Um juiz do Novo México ordenou o pagamento de US$ 567 milhões, mas depois rejeitou as alterações no projeto
O julgamento ocorre após dois desfechos adversos. Conforme Cryptopolitan relatado, em março, um júri de Los Angeles ordenou que a Meta e o Google pagassem um total de US$ 6 milhões a uma mulher que alegou ter sofrido danos quando criança por causa das plataformas. No mesmo mês, um júri do Novo México constatou 75 mil violações da lei estadual e impôs uma multa de US$ 375 milhões.
Em 6 de agosto, o juiz Bryan Biedscheid adicionou US$ 567 milhões para um fundo de apoio a jovens com problemas de saúde mental, elevando o total do Novo México para US$ 942 milhões, e ordenou cinco anos de mudanças de segurança. Ele se recusou a ordenar as correções estruturais desejadas pelo estado, incluindo a remoção da rolagem infinita, do avanço automático de vídeos e da contagem de curtidas visíveis, alegando que impor mudanças de design violaria a Primeira Emenda e a Seção 230. A Meta está recorrendo da decisão.
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