
As autoridades japonesas realizaram uma operação de busca e apreensão no escritório da Microsoft em quarta-feira, investigando se a empresa bloqueou indevidamente o acesso de clientes da nuvem Azure a serviços concorrentes.
A Comissão de Comércio Justo do Japão realizou a operação com base em suspeitas de que a Microsoft Japão impôs condições que excluíam provedores de nuvem concorrentes, restringindo o acesso a serviços populares em outras plataformas, disse à Reuters uma fonte com conhecimento direto do assunto.
Um porta-voz da Microsoft Japão afirmou que a empresa está "cooperando plenamente com a JFTC em suas solicitações". Os reguladores japoneses também planejam solicitar esclarecimentos à matriz da Microsoft nos Estados Unidos.
Esta é a primeira vez que o órgão regulador antitruste do Japão realiza uma operação de busca e apreensão na Microsoft , embora a empresa enfrente problemas semelhantes em vários continentes.
Na Grã-Bretanha, a advogada de defesa da concorrência Maria Luisa Stasi entrou com uma ação judicial de 2,1 bilhões de libras em 11 de dezembro de 2025, alegando que a Microsoft cobrou indevidamente de quase 60.000 empresas britânicas que usam o software Windows Server em plataformas de nuvem operadas pela Amazon, Google e Alibaba.
Sua equipe jurídica informou ao Tribunal de Apelações da Concorrência de Londres que a Microsoft cobra preços mais altos de empresas que não utilizam o Azure.
A advogada Sarah Ford afirmou que a Microsoft "degrada a experiência do usuário do Windows Server" em plataformas concorrentes como parte de "uma estratégia abusiva coerente para alavancar a posição dominante da Microsoft" no mercado de nuvem.
Em julho, a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido concluiu que as práticas de licenciamento da Microsoft prejudicam a concorrência no setor de serviços em nuvem, "ao colocar a AWS e o Google em desvantagem significativa".
Em setembro, o Google reclamou à Comissão Europeia que a Microsoft obriga os clientes a pagar um acréscimo de 400% para continuarem a executar o Windows Server em plataformas de nuvem concorrentes, ao mesmo tempo que lhes fornece atualizações de segurança limitadas e com atraso.
Em janeiro, a autoridade antitruste brasileira abriu sua própria investigação sobre as políticas de nuvem e licenciamento de software da Microsoft. O Conselho de Defesa Econômica citou conclusões de pesquisas realizadas no Reino Unido, afirmando que as políticas globais de licenciamento da Microsoft provavelmente criam os mesmos problemas no Brasil.
A Microsoft opera duas regiões de nuvem no Brasil e anunciou, em setembro de 2024, um plano de investimento de US$ 2,7 bilhões para expandir sua infraestrutura de nuvem no país.
Essas investigações estão entre os maiores desafios regulatórios que a Microsoft enfrentou desde a década de 1990, quando lutou contra acusações antitruste por seu domínio no mercado de navegadores web. A Microsoft se defendeu, afirmando que seu modelo de negócios favorece a concorrência e que "o mercado de nuvem nunca foi tão dinâmico e competitivo"
Em novembro de 2024, a Comissão Federal de Comércio (FTC) dos Estados Unidos abriu uma ampla investigação antitruste contra a Microsoft. A investigação apura alegações de que a Microsoft abusa de seu poder de mercado ao utilizar termos de licenciamento punitivos que impedem os clientes de migrar seus dados do Azure para outras plataformas.
A NetChoice, um grupo de lobby que representa empresas online, incluindo Amazon e Google, criticou a abordagem da Microsoft.
“Considerando que a Microsoft é a maior empresa de software do mundo, dominante em software de produtividade e sistemas operacionais, a escala e as consequências de suas decisões de licenciamento são extraordinárias”, afirmou o grupo.
A Microsoft agora enfrenta investigações de órgãos reguladores em quatro continentes, que analisam se a empresa usa seu domínio em sistemas operacionais e softwares de produtividade para direcionar clientes para o Azure, enquanto pune aqueles que optam por serviços de nuvem concorrentes.
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