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China pode ficar menos disposta a comprar soja dos EUA após decisão da Suprema Corte, avaliam analistas

Reuters20 de fev de 2026 às 20:09

Por Heather Schlitz

- A China pode estar menos propensa a fechar outra grande compra de soja dos EUA, que o presidente Donald Trump vem divulgando há várias semanas, após a Suprema Corte derrubar as tarifas abrangentes de Trump, disseram analistas.

O contrato de soja mais negociado registrou ligeira queda na manhã desta sexta-feira, após subir 8,49% desde 4 de fevereiro, quando Trump disse no Truth Social que a China compraria mais 8 milhões de toneladas de soja.

“O que Trump tem feito é tentar pressionar a China, e agora nos perguntamos: isso tornará a China menos propensa a receber a entrega da soja?”, disse Darin Fessler, consultor sênior de hedge da Lakefront Futures. “Os suprimentos dos EUA ainda são mais caros que os do Brasil. Sem a China sendo forçada, por que eles iriam querer comprar soja dos EUA?”

Mesmo com a alta dos preços da soja norte-americana, muitos analistas e operadores expressaram ceticismo quanto à possibilidade de a China comprar tais volumes.

A China já comprou 12 milhões de toneladas de soja dos EUA, cumprindo sua parte do acordo comercial firmado em outubro, depois de ter evitado a soja dos EUA por meses no ano passado.

A Sinograin, compradora estatal chinesa, realizou leilões públicos para abrir espaço para os embarques dos EUA, apesar das expectativas de uma safra abundante de soja no Brasil, que a China poderia comprar por um preço menor.

Sem as tarifas como instrumento de pressão, a soja norte-americana teria dificuldade em competir com o rival Brasil, onde a safra enorme em andamento tornou os suprimentos do país sul-americano muito mais baratos.

Os juízes decidiram que Trump excedeu sua autoridade ao implementar tarifas sob uma lei destinada ao uso em emergências nacionais. A decisão levantou questões sobre se ou como o governo buscará novas tarifas por meio de outras estratégias legais.

Para agentes do mercado que acompanham de perto a China, maior importadora mundial de soja, a decisão acrescentou mais incerteza a um mercado já volátil.

Traders afirmaram que acompanharão de perto quaisquer novas reviravoltas na política tarifária, bem como sinais de que a China cederá à vontade de Trump e comprará soja ou continuará a se voltar para o Brasil e a Argentina, países com os quais a China não está envolvida em uma guerra comercial.

Os agricultores norte-americanos estão enfrentando o quarto ano consecutivo de lucros baixos ou negativos, e a renda agrícola deve cair este ano, apesar dos pagamentos quase recordes do governo.

“O martelo das tarifas foi tirado do presidente, mas que ferramenta ele vai usar no futuro para manter as tarifas em vigor?”, disse Dan Basse, presidente da AgResource Company. “Isso certamente traz mais incerteza em torno da questão.”

(Por Heather Schlitz, com reportagem adicional de PJ Huffstutter)

((Tradução Redação São Paulo))

REUTERS LF

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